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LOBO MARINHO - BRASIL

Tratamento de canal

A odontologia em mamíferos marinhos é um grande desafio e frequentemente nos coloca diante de fraturas de caninos. Na rotina de aquários e centros de conservação, o trauma oclusal — geralmente causado por estresse de cativeiro — é a principal causa de exposição pulpar. A extração de um canino hígido fraturado em um lobo marinho é extremamente traumática, demorada e compromete a integridade alveolar. Por isso, a endodontia (o tratamento de canal) é a abordagem padrão-ouro. O procedimento exige uma combinação de precisão acadêmica, instrumentais adaptados e a rusticidade do trabalho de campo. 

A radiografia intraoral digital é o primeiro passo e permite avaliar a morfologia radicular (que nos lobo marinho é longa, robusta e frequentemente curva no terço apical), o grau de fechamento do ápice radicular e a presença de lesões periapicais.

Utilizando uma broca esférica diamantada ou de aço em alta rotação, o acesso à câmara pulpar é feito o mais retilíneo possível em relação ao longo eixo da raiz. Em caninos de lobo marinho, a coroa é massiva, exigindo brocas de haste extra-longa (frequentemente cirúrgicas) para alcançar o teto da câmara pulpar sem desgastar excessivamente a coroa remanescente.

A polpa (necrótica ou inflamada) é removida. A odontometria — determinação do comprimento do dente — é feita com limas Hedstrom ou K-files de séries veterinárias (que frequentemente precisam ter entre 60 mm e 90 mm de comprimento). Confirma-se o comprimento de trabalho com o sensor digital radiográfico, garantindo que a instrumentação chegue a 1-2 mm do ápice.

O canal radicular de um lobo marinho é amplo, mas abriga um delta apical complexo. A instrumentação biomecânica é realizada com limas reciprocantes de 70 mm, associada a uma irrigação copiosa e sob pressão controlada com Hipoclorito de Sódio (NaOCl) a 2,5% - 5% para dissolução tecidual e EDTA para remover a "smear layer" (lama dentinária). A secagem é feita com pontas de papel absorvente veterinárias.

Com o canal estéril e seco, o selamento é realizado. O padrão é o uso de cones de guta-percha veterinário e cimento biocerâmico.

A câmara de acesso é limpa e condicionada. O selamento é feito com resina composta fotopolimerizável de alta carga mecânica. Como o lobo marinho provavelmente voltará a morder objetos duros, o canino tratado é frequentemente "arredondado" (desgaste compensatório) para tirá-lo de oclusão direta, reduzindo o braço de alavanca mecânico e prevenindo uma nova fratura da coroa.

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