

ELEFANTE - ZOO SP
Extração de dentes molares maxilares
A extração de um molar impactado em um megavertebrado como o elefante é um dos maiores desafios da odontologia veterinária de animais selvagens. O procedimento exige não apenas domínio absoluto da anatomia craniofacia, mas também logística de trabalho impecável.
A fisiopatologia da impactação está diretamente ligada ao mecanismo de trocas dentárias (polifiodontia). Se a progressão mesial for interrompida por trauma, desgaste anormal ou retenção de fragmentos, o molar em erupção pode rotacionar ou impactar contra o dente decíduo remanescente, levando a dor crônica, abscessos, perda de condição corporal e qualidade de vida.
O acesso à cavidade oral exige abridores de boca projetados especificamente para megavertebrados, apoiados nos maxilares (evitando pressão excessiva sobre os tecidos moles). O acesso visual é o maior obstáculo. Com iluminação cirúrgica de longo alcance, o tecido gengival sobrejacente ao molar impactado é divulsionado para expor as coroas lamelares. A luxação e alavancagem do dente é realizada com osteótomos, goivas e alavancas retas de aço inoxidável (frequentemente forjadas sob medida), inseridas no espaço periodontal. O uso de um martelo cirúrgico é necessário para romper a forte ligação epitelial e alveolar. A força deve ser aplicada em movimentos de rotação controlada para não fraturar as corticais ósseas adjacentes.Os blocos seccionados são removidos individualmente. A câmara alveolar gigante é então rigorosamente curetada para remover tecido necrótico, epitélio de fixação remanescente e estilhaços dentários, evitando a formação de fístulas ou sequestros ósseos.
O manejo pós-operatório baseia-se no controle rigoroso da dor e na prevenção de infecção secundária. Lavagens periódicas da câmara alveolar (diárias ou semanais, dependendo da cooperação do animal via condicionamento operante) são necessárias para remover o acúmulo de material vegetal. A granulação completa do tecido costuma levar de 3 a 4 meses.


















