

ARIRANHA - BRASIL
Inserção de coroas metálicas fundidas - RMFs
A instalação de uma coroa metálica fundida em carnívoros selvagens — especialmente em predadores de topo com força de mordida brutal, como a ariranha, grandes felídeos e ursídeos — é o ápice da reabilitação biomecânica na odontologia veterinária.
Quando um canino ou dente carniceiro sofre fratura, a restauração em resina composta pode não resistir ao estresse de cisalhamento gerado por animais que trituram ossos, cascos de crustáceos ou carapaças. A liga metálica (frequentemente cromo-cobalto, níquel-cromo ou até titânio) devolve a funcionalidade predatória plena, permitindo que o animal retorne a normalidade.
O procedimento exige planejamento logístico impecável, pois requer dois tempos cirúrgicos e, portanto, duas anestesias gerais.
O dente fraturado já deve ter passado pelo tratamento de canal ou ser tratado na mesma sessão, antes do preparo.
Com brocas tronco-cônicas diamantadas em alta rotação sob irrigação abundante, o esmalte remanescente e o núcleo de resina são desgastados. O objetivo é criar um formato de "cone truncado" que permita o encaixe da coroa, estabelecendo uma linha de término (geralmente em chanfro) cerca de 1 a 2 milímetros acima da margem gengiva. Isso garante abraçamento mecânico (efeito férula) e evita a alavancagem da coroa durante a mordida.
Fios retratores embebidos em hemostático são inseridos no sulco gengival para afastar a gengiva e expor a linha de término. A moldagem precisa ser perfeita. Utilizam-se silicones de adição (massa pesada e leve) em moldeiras individuais. Um registro de mordida (oclusão) também é feito para garantir que a futura coroa de metal não interfira no fechamento da boca.
No laboratório de prótese, o modelo de gesso é vazado, e a coroa é encerada e fundida na liga metálica escolhida. A integração de escaneamento intraoral e impressão 3D de modelos tem revolucionado essa etapa, reduzindo distorções e acelerando o processo.
Após alguns dias, o animal é reanestesiado para a instalação das próteses. A coroa de metal é testada. Verifica-se a adaptação marginal (se desce perfeitamente até o término sob a gengiva) e a oclusão (se não toca prematuramente no dente antagonista). O interior da coroa metálica é jateado com óxido de alumínio para criar microrretenções. O dente é isolado (o máximo possível em medicina veterinária de campo), seco e condicionado. Utiliza-se um cimento resinoso dual para cimentação definitiva. A coroa é assentada com pressão firme e constante até a presa do cimento. Os excessos extravasados na gengiva são cuidadosamente removidos para evitar doença periodontal futura.
Uma vez cimentada e polida, a ariranha recupera sua capacidade total de esmagamento, pronta para lidar com os peixes e crustáceos espinhosos que compõem sua dieta nos rios e lagos.
















