

JABUTI - BRASIL
Prótese 3D de casco - Guinness Book
O caso da jabuti "Freddy", que sobreviveu a um incêndio florestal no Brasil e perdeu 85% do seu casco (carapaça), é um marco global na medicina veterinária de animais selvagens. O procedimento rendeu o Guinness World Record de primeira prótese de casco impressa em 3D do mundo e demonstrou como a união entre biologia, odontologia veterinária e tecnologia digital pode reabilitar o que antes era considerado intratável. Dr Roberto Fecchio coordenou a equipe de execução do procedimento.
A equipe multidisciplinar (conhecida como *Animal Avengers*) aplicou técnicas de vanguarda que misturavam conceitos de ancoragem odontológica e cirurgia maxilofacial em um réptil.
A reabilitação biônica seguiu um rigoroso planejamento em quatro fases principais:
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Captura de Imagem: A equipe utilizou a **fotogrametria**. Dezenas de fotos em alta resolução foram tiradas da Freddy (com o dorso exposto) e de um jabuti doador saudável (com as mesmas proporções geométricas).
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Design 3D: Em software de modelagem livre (Blender), o designer cruzou as malhas tridimensionais do doador com a anatomia destruída da Freddy. A prótese não poderia ser inteiriça devido ao tamanho da impressora; ela foi projetada como um **quebra-cabeça de quatro peças** intertravadas.
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Manufatura Aditiva (Impressão 3D): O material escolhido precisava ser leve, resistente e termicamente isolante, já que os répteis dependem da termorregulação externa (ectotermia). Utilizou-se o PLA (Ácido Polilático), um polímero biodegradável à base de milho.A impressão das quatro partes consumiu dezenas de horas. O resultado foi uma estrutura branca, espessa o suficiente para proteger os pulmões e a coluna (que em quelônios são colados ao topo do casco).
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O Ato Cirúrgico: Instalação e Ancoragem.Remoção de tecido necrótico e preparo do leito. A área dorsal exposta da Freddy precisou ser tratada meses antes da prótese, até que se formasse uma fina camada de tecido de granulação cornificado protegendo os órgãos vitais.Durante o procedimento, as quatro peças de PLA foram montadas sobre o dorso do animal. A precisão milimétrica da fotogrametria garantiu que a prótese se acomodasse sem pressionar excessivamente a cavidade celomática, permitindo a expansão pulmonar livre.
Mimetismo e Camuflagem: O PLA original é de um branco brilhante, o que na natureza ou em recintos abertos transformaria a Freddy em um alvo fácil para predadores, além de dificultar a absorção de calor solar. Para finalizar a reabilitação, um artista plástico da equipe pintou a prótese à mão, utilizando tintas atóxicas, replicando perfeitamente o padrão geométrico escuro e avermelhado natural da espécie.
O grande legado: O caso da Freddy provou que o fluxo digital (fotogrametria + CAD + impressão 3D) pode ser customizado para quase qualquer anatomia exótica, abrindo portas para a criação de bicos de tucanos, cascos de tartarugas e guias cirúrgicos ortopédicos na medicina de conservação.











